Todos os posts de Maira Mesquita

mudança

Photo 177Photo 181

Photo 157

Photo 159Photo 162Photo 163Photo 164

-mural

-maleta de madeira e pasta

-colas, fitas, garras e linhas

-restos de bijouteria

-restos de relógio

-pequenos brinquedos de plástico

-peças de plástico: embalagens, tampinhas, pedaços de eeltro-eletrônicos, pedaços de brinquedos

-metros auto-adesivos

-2 lâmpadas

-3 restos de taças

-lírio seco

-fole de borracha

-ossos variados de peixe

-sementes

-1 boca de fogão

-1 maçaneta de porta

-1 puxador

-1 cabo de guarda chuva

-1 ornamento de madeira

-peças de plástico e alumínio indecifráveis

-ferragens variadas

-2 mouses

-1 pote de vidro com pregos enferrujados

– e mais uns punhados…

desse valor

altares 042

Nunca me senti artista, muito mais artesã. Sempre me interessaram os modos de fazer, soluções, o aprimoramento, as técnicas, o acabamento, o detalhe.

Tendo ao trabalho útil, servente – no sentido mais senso comum de utilidade. Mas sempre soube que trabalharia com alguma expressão artística.  A cenografia uniu o artesão à arte. As dramaturgias no lugar da tradição.

Nunca me senti artista, mas sempre acreditei, no meu trabalho, num processo artístico – um processo de pesquisa e imaginação, constante movimento e apropriação empírica. Isso por que esse meu trabalho não tem um valor em si – qualquer cenário que fiz, sem seu drama, vira uma ambientação cafona de algum entretenimento barato – e sempre me incomodou a possibilidade de um valor em si. Um pouco covardia, um pouco rebeldia.

Primeiro porque o valor em si cria uma relação de responsabilidade entre a obra e o mundo que sempre me pareceu  importante demais,  poderosa demais, carregada demais. Como se necessitasse de um olhar claro e decidido sobre o mundo, sobre o olhar para este mundo, sobre a expressão desse olhar. Uma clareza  que eu, definitivamente, não tenho.

E por que sempre me interessaram as coisas menos valorosas. A começar pelas coisas em si.  Sempre fui amante das coisas, dos objetos, de tudo que se pode pegar, cheirar, quebrar. Pela própria materialidade da coisa. De todas as coisas. Não pela importância deste ou daquele objeto, mas pelas coisas que cabem nesse nome vasto e impreciso. Por tudo que carrega propriedades físicas. Coisas queimam. Coisas caem. Coisas estragam, se transformam.

E das coisas, as que mais me interessam – justamente pelo motivo do desvalor – são as velhas, as descartadas, as do lixo, do esquecimento.
Essas são as coisas mais lindas, mais humanas. Que carregam história, que se agrupam em lógicas  irreproduzíveis, que sugerem além da sua função, que foram desabilitadas da sua função, que já não se importam com função alguma, que dançam o esquecimento, sorridentes e despreocupadas. É a matéria descompromissada com a própria materialidade, é o desvalor em corpo de coisa. Corpo morto que ganha vida no lixo ou no canto.

Talvez o meu medo seja dar valor para o que carrega a vida no desvalor. Me contento em olhá-las no canto da calçada, a sua beleza mórbida, a sua disponibilidade generosa. E usá-las ao meu bel prazer, sem me importar com a aura que eu mesma criei. Deixando também a aura no lixo, pra usar as coisas apenas como matéria prima barata, fácil e sugestiva à transformação.

Nunca me senti artista, mas agora me submeto ao título. Sem o pesar da última sentença, mas com alegria e frescor de um artesão no ócio. Sem a clareza que me parecia necessária, mas rodeando a própria confusão como um gato manco que fareja a próxima caçada. Sem a mínima idéia da responsabilidade para com o mundo, para com o olhar ou a expressão,  mas com todo deleite da vivência do mundo, do olhar e da expressão. Procurando o lugar de um artista sem o valor em si, de um trabalho sem o valor em si, ou de um valor às avessas, um valor que se concretiza quando é deixado de lado, num movimento frenético, contraditório, humano e imperfeito. Um valor roubado do lixo. Roubado não, que lixo não tem dono. Catado mesmo. Um valor que eu mesma já deixei tantas vezes ali, caído e desprezado como reverência e veneração.

Desrespeito as regras que criei.

Maíra Mesquita

cenário 200

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Vestibulum sagittis, metus sit amet suscipit tempus, lacus augue feugiat arcu, et cursus nibh lorem sit amet est. Praesent sed leo eu orci vulputate luctus et a sem. Vestibulum ante ipsum primis in faucibus orci luctus et ultrices posuere cubilia Curae; Fusce quis posuere diam. Donec egestas tempus diam, condimentum aliquam diam rutrum et. Duis sapien turpis, varius ac placerat quis, dictum nec libero. Curabitur laoreet consequat quam, nec tincidunt dui commodo sed. Morbi et convallis arcu. Maecenas mollis sapien in est ultrices tempor. Praesent nec lorem quis ipsum accumsan mattis. Nunc elementum sapien ut neque congue aliquet. Donec sed mi dui.
Donec arcu enim, sollicitudin sit amet posuere pellentesque, pharetra non ligula. Sed euismod velit et augue rutrum eu auctor augue lacinia. Cras sit amet lectus nec quam scelerisque rutrum. Ut nec porta nulla. Praesent id scelerisque tellus. Pellentesque elementum laoreet felis, sed rutrum ipsum auctor nec. Nulla non faucibus lectus. Duis molestie dictum nisl, a accumsan tellus placerat a. Nulla commodo interdum porta. Nulla enim leo, convallis sit amet rhoncus id, fringilla ut leo. Integer nec neque urna, sed tempor erat.

Formada em cinema na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), começou a fazer direção de arte em exercícios e TCC’s na faculdade. Foi nesse período que participou, com a direção de arte de “Sobre a Maré” (Guile Martins), do projeto Sal Grosso (Festival Brasileiro de Cinema Universitário), que reúne estudantes de diferentes escolas de cinema/audiovisual do país numa mesma equipe. Na mesma época começou a trabalhar com um grupo de teatro da ECA, com a cenografia e figurino da peça Evergreen – Tarja preta – (peça de TCC dirigida por Ivan Andrade, resultado do estudo sobre dramaturgia potencial) ao passo que faria o figurino de um TCC de dança das Artes do Corpo – “Se eu pudesse mais flores”. Formou-se com a direção de arte do filme “Os Sapatos de Aristeu” (René Guerra).

Muitos desses parceiros se mantiveram depois da faculadade. Num segundo momento trabalhou em diversos projetos, sempre dentro de direção de arte, cenografia e figurino. Com destaque para FilmeFobia (Kiko Goiffman) com a produção de arte e o figurino, onde foram construídas e montadas diversas traquitanas para simular fobias;  Dia Estrelado (Nara Normande) com a direção de arte do projeto de animação em stop motion em Recife-PE;  A morta (viva), com o figurino e direção de arte da performance teatral de Luiz Fernando Ramos, a partir do texto de Oswald de Andrade; e ABC Bailão (Marcelo Caetano) com a direção de arte do documentário que acompanha os trajetos de memória de homossexuais da terceira idade no centro de São Paulo.