Henrique César

Henrique - retrato

Se tudo que se mostra liso, por dentro está absolutamente rugoso, então que se faça aparecer tudo o que não deixamos ser visto.

O lugar onde acaba a luz é o mesmo no qual começa a sombra. O medo surge quando já não podemos ter domínio de uma situação. Quando tudo parece ser claro, dominado, limpo e desbravado, explode, por uma brecha, um foco de treva.

Assim funcionamos, desse modo funciona tudo. Seja num texto sobre a Entropia de Robert Smithson, seja em uma frase de um filme recente de Lars Von Trier. O fato é que o caos existe, resiste e reina. Seja ele em forma de erva-daninha no concreto, de vazamento ou infiltração nas paredes brancas, ou em forma de universo soturno que atravessa a parede da ordem, e nos invade obscuro, pelos poros.

O trabalho de graduação do curso de artes plásticas da FAAP girou em torno de toda uma busca em cima da bolha obscura, em forma de uma grande sala escondida, onde se encontravam os dutos de ar-condicionado do prédio 1 da fundação. O documentário sobre este espaço, batizado de “espaço negativo”, teve a intenção de trazê-lo às luzes, ou, simplesmente, de tirá-lo da víscera do gesso branco desta instituição.

Uma ideia sobre “Henrique César”

  1. vemos esse interior rugoso (seja da parede quebrada do banheiro, ou do exame de endoscopia..)e parece que falta o ar. A sensação de medo é de um habitat desconhecido, impróprio para nossa espécie. Eu sempre penso em uma piscina que vc mergula e está cheia de musgo na parede. Parece que vai te engolir

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