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EDICIONES PORTUNHOL

<PORT> Ediciones Portunhol é uma coleção de ensaios, livros de artistas e cadernos de referência produzidos por artistas e teóricos de vários cantos da América Latina e editado por Casa Tomada. Seu conteúdo alterna, frequentemente, o espanhol e o português, e reivindica o portunhol como princípio aglutinador, propício à circulação de pensamento e de produção artística no continente. Nessa interlíngua oficiosa (a qual deveríamos idealmente incorporar também o guaraní, o mapuche, o creol, o iorubá e outros tantos), reverbera uma rede complexa de subjetividades e identidades que conforma o que é dito latino-americano, ressaltando seus contrastes, pontos de contato e mutações constantes. Ler, escutar, escrever e falar a América Latina em seu idioma fantasiado é, finalmente, refletir sobre a direção em que queremos reinventar nossa cultura e nosso lugar no mundo.

<ESP> Ediciones Portunhol es una colección de ensayos, libros de artistas y cuadernos de referencia producidos por artistas y teóricos de diversos rincones de América Latina y editado por Casa Tomada. Su contenido alterna a menudo el español y el portugués, y reivindica el portunhol como un principio unificador, propicio para la circulación del pensamiento y de la producción artística en el continente. En esta interlingua oficiosa (a la cual deberíamos idealmente incorporar el guaraní, el mapuche, el creol, el yoruba y muchos otros), reverbera un entramado complejo de subjetividades e identidades que conforman lo que se dice latinoamericano, señalando sus contrastes, puntos de contacto y mutaciones constantes. Leer, escuchar, escribir y hablar la América Latina en su lengua fantaseada es, en última instancia, reflexionar sobre la dirección hacia la cual queremos reinventar nuestra cultura y nuestro lugar en el mundo.

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esse é pro gui

lembrei de um livro. lembrei que esse livro é do Sponville, que foi uma das nossas primeiras identificações.

lembrei de você quando cheguei em casa. e quando cheguei em casa, me sentindo tão sozinha, eu vi. eu vi a foto que você contou pelo celular. e vi a foto e o texto do rilke, e vi essa solidão toda. e a chuva caiu fina depois de um dia tão quente e silencioso, como no chão molhado da foto. a crise, a casa, o nosso encontro. o bruno, o pra frente, a maíra e seus olhos profundos feito leão fantasma. eu e você dividindo a rede feito primos no interior. você dividindo suas melhores histórias. e para mim, naquela hora, você não era um urso. então a sua casa, as paredes rosas, o lavoura arcaica em cima da mesa. lustres feitos a mão. a vizinha atriz. caetano na vitrola dizendo “na lua cheia tá doida, apaixonada, não sei por quem”. pepino, manjericão e chocolate..por que não? “você tem um tomate, é que eu queria comer um tomate, você tem? é assim, com um pouco de sal”. e aquilo que fazia todo sentido, perdendo o sentido. e aquilo que não fazia nenhum sentido, ganha todo.

as descobertas no carro.as gargalhadas no carro.

(as gargalhadas histéricas fazem todo o sentido!)

a conversa com o pai. o pai é árabe. o pai é humano. um humano lindo. maravilhoooso. o pai se a gente perde faz falta. o pai quando é assim a gente não perde nunca. a analista. o consultório de madeira. o seu consultório, o meu. só nos dez ultimos minutos é que se toca no assunto que realmente importa. o pai internado. o pai homem, o pai lindo, o pai viril. o pai amor.

(essa foto é na ilha do cardoso, ano novo, 2008. queria te mostrar. queria uma foto que conversasse com a sua)

bem..o livro do sponville é: o amor a solidão.

o trecho: “ser só é ser si mesmo, sem recurso, e é a verdade da existência humana. como poderiámos ser outro? como alguém poderia nos descarregar desse peso de ser si mesmo? ninguém pode viver no nosso lugar, nem morrer em nosso lugar, nem sofrer e amar em nosso lugar. é o que chamo de solidão: nada mais é que outro nome para o esforço de existir”.

Agora o mais legal: justo o trecho que eu abri do livro, o Sponville cita o Rilke!!

Rilke encontrou as palavras necessárias para dizer esse amor de que necessitamos, e de que somos tão raramente capazes: “Duas solidões que se protegem, que se completam, que se limitam e que se inclinam uma diante da outra…”

O amor não é o contrário da solidão : é a solidão compartilhada, habitada, iluminada – e às vezes, ensombrecida – pela solidão do outro.

Esse deserto, em torno de si ou do objeto amado, é o próprio amor.