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CONVIVÊNCIAS #1 agora online!

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Para concluir a 1ª edição do Ateliê Aberto, programa de residência artística da Casa Tomada finalizado em dezembro de 2009, fizemos o lançamento do 1º número de Convivências. Agora temos o prazer de lançar também ONLINE Convivências #1, acreditando na possibilidade de levar para fora da Casa as reflexões e experiências deste processo de convivência artística.

Convivências #1 conta com textos sobre os artistas participantes do Ateliê  Aberto #1, imagens do processo e depoimentos dos visitantes que o projeto recebeu ao longo de dois meses.

Esta publicação complementa as atividades da Casa Tomada, e leva a público não só o resultado final de um processo criativo, mas as diversas etapas que se passaram até chegar à exposição final.

Clique na imagem e tenha acesso à leitura no próprio site ou ao download da publicação.

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um bate-papo animado!

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O bate-papo aqui na Casa Tomada com os artistas do Ateliê Aberto #1 no penúltimo dia de exposição foi muito bacana! O que aconteceu foi uma espécie de reflexão coletiva, onde os artistas e aqueles que participaram do projeto de alguma forma, fizeram uma retrospectiva daquilo que viveram na Casa. Analisaram suas posturas, seus maiores e menores estímulos e colocaram o público, tão atento e interessado, à par de suas experiências ao longo desse tempo, aproximando-os ainda mais aos trabalhos apresentados na exposição.

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Uma carta do meu pai

Saindo da Casa Tomada, no segundo dia de performance, eu entro no quarto 912 do hospital 9 de julho. Ele me entrega o seu caderno de anotações e diz para mim:   “Leia em voz alta”.

A carta começa assim:

“Depoimento:
São 5 horas da manhã no hospital. Não cerrei os olhos essa noite. Experimento hoje a finitude do homem em todo o meu ser.
Respiro com um só pulmão e graças a Deus eu respiro.
Tusso a noite toda para me convencer que estou vivo e que jamais me deixarei levar pelo entreguismo, a maior tentação do homem doente.
Tenho repetido para mim mesmo que os homens não nasceram para morrer, mas para viver.
A morte será apenas a travessia de uma ponte.
Alguns minutos de inconsciência, porque do outro lado estará o espírito do tempo, da energia quântica e do infinito que a primavera criou dentro dos homens. Primavera de flores, frutos e imensidão incomparáveis porque o inverno, a estação da construção, já não existe mais.
Fascina-me cada vez mais a visão da luz, experiência que projeta os homens no tempo e no espaço de um mundo sem fronteiras e limitações, contornos e caras, moléculas e átomos.
Depois que recebemos a poeira das estrelas e o DNA das águias e beija flores não existe para os homens senão um caminho e um destino.
Voar em direção as constelações mais longínquas de todos os planetas. Porque é lá que mora o infinito dos homens, o conhecimento da terra, dos mares e de todo o universo”
Nahim Ibrahim Ahmad

** “Entre o verão e o inverno” é uma homenagem a ele e a nossa história. O outono é esse momento de instrospecção, de preparo para tempos frios e escuros, não tão colorido e leve como a primavera, mas carregado de sutilezas nos tons de verde, marrom e amarelo das folhas que caem.

originalidade

Numa conversa com a Maíra,  tarde da noite, a gente discutia sobre nossos trabalhos na Casa tomada e como eles falavam da gente, do universo de cada um.

A gente se perguntava se essa coisa é mais geracional, fruto dos tempos ou uma inclinação pessoal.

Como falar de um mundo tão complexo, como propor algo que tranforme isso? transformar o que? pra onde?

E pra que procurar ser original num mundo tão vasto e tão fertil? Tem sempre alguém informado que sabe de alguém que fez “quase exatamente o que vc fez” em algum lugar do mundo.

Libertados da necessidade de ser original, agora a gente pode ser honesto.

parte no processo exposto hoje na casa tomada.
parte do processo exposto hoje na casa tomada.

Entre o verão e o inverno

…o intervalo.

(estação do ano, caracterizada também pela mudança. tempo de olhar para trás, tomar consciência dos erros e acertos. tempo de fortalecer as fraquezas e valorizar os pontos positivos, pois é tempo também de olhar para frente, saber que vai enfrentar tempos frios e escuros, na estação posterior, mesmo assim, com muita resiliência prepara-se para novas e constantes mudanças, sabendo-se que tudo é ciclico. cada momento é o tempo de ir em frente. o outono também é para ser celebrado como tempo de introspecção, de preparo, de conhecimento de si e de fortalecimento para novas fases da vida)

começa hoje, 18h00.

Não resisti

(Cada um no seu quadrado)


nota foto: Em 2007 fiz um trabalho na FAAP (foto) e na Galeria Vermelho chamado Encubo-me. Durante 7 dias (tempo que durava a mostra de performance Verbo) morei na galeria, sem contato físico, sendo alimentada 2 vezes ao dia por um amigo. Em silêncio. Meu companheiro era um grande caderno de anotações, onde descrevia as sensações que a performance me causava.

nota 2: Só vim a conhecer o trabalho do Tehching há apenas 2 semanas atrás! Mas nesse tempo já falei dele na balada com os amigos, no hospital com o meu pai, em todo canto. Foi uma grande descoberta. Se o café rolasse mesmo, eu terminaria nosso encontro com uma reverência – bem estilo oriental.
Sei também que ele está fora do circuito das artes. Casou e se despediu da performance. Mas sei também que ele deve ter mil e uma histórias para contar….

Aceita um café?

Eu sou assim:

Quando gosto muito do trabalho de alguém, quero conhecer a vida dessa pessoa: que tipo de música ela gosta, prato preferido, quem são seus amigos, do que ela tem medo, se viu muito o mar quando era criança, se bebe socialmente, se gosta de dançar sozinho em casa, se anda à cavalo, se tem algum bicho fofo de estimação, se sente ciúmes, apaixona-se facilmente, se chora alto ou baixinho…


Queria muito tomar um café com o Tehching Hsieh.


Desvendar um pouco esse mistério todo que causou em mim…

O Hércules, da TeTo Projetcs, que me passou a dica :

http://www.one-year-performance.com/

nota foto: Tehching Hsieh morou durante um ano dentro de uma cela instalada no seu ateliê. Sem contato físico, sem troca de palavras, carinho e afeto. Era alimentado por um amigo 2 vezes ao dia. E somente um dia da semana, o ateliê era aberto para exposição (contanto que as pessoas falassem bem baixinho)