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degredo

  1. (termo jurídico) pena de desterro ou exílio imposta judicialmente em caráter excepcional como punição de um crime grave, constituindo uma forma de banimento
  2. (Derivação: por extensão de sentido) afastamento voluntário ou compulsório de um contexto social
  3. (Derivação: por metonímia) local onde vive o degredado

8-75-21

A pena de Exilium era considerada pela maioria dos Romanos pior do que a pena capital. Estar em exilio significava que você era levado a condição de um animal: Não poderia usar água ou fogo na preparação dos alimentos, não poderia entrar uma habitação que não a feita pelas próprias mãos e, muito provavelmente, enquanto durasse o exílio não iria falar com outro ser humano.

esse é pra adelita

Achei uma carta que escrevi em 2004 em que eu citava o mesmo trecho do Rilke que falei hj pra você:

“Há uma solidão só: é grande e difícil de se carregar. Quase todos, em certas horas, gostariam de trocá-la por uma comunhão qualquer, por mais banal e barata que fosse; por uma aparência de acordo insignificante com quem quer que seja, com a pessoa mais indigna. Mas talvez sejam essas, justamente, as horas em que ela cresce, pois o seu crescimento é doloroso com o de um menino, e triste como o começo das primaveras.”

8-75-19
encontrei essa foto hoje depois que vcs saíram.

e ainda da mesma carta:

“Rilke era um verdadeiro religioso da solidão. Não sei ainda no que concordo ou não, mas tem feito sentido: o amor é o encontro de duas solidões, que se saúdam, que se protegem e que se limitam, mas que continuam sendo duas solidões. Mesmo que possamos nos comunicar, nunca deixaremos de ser sós, é isso que me parece, que a solidão vai ser sempre necessária e presente.”

uma crise

Não falei mais aqui. Tava em crise.

O Basbaum me apresentou uma artista, Roni Horn. ( não achei site dela, mas esse é o link pra retrospectiva do Tate modern)

Becoming a landscape, de Roni Horn
Becoming a landscape, de Roni Horn

Nesse livro da Tate que ele trouxe tinha vários trabalhos. Esse aí de cima consiste em uma série de dípticos em que as fotografias não são sempre idênticas. Acho surpreendente como duas imagens quase iguais poder ser tão diferentes.

As conversas com o Basbaum tem sido de uma riqueza sem tamanho. Curioso como ele me acerta quando menos me mira. ( A Maíra fala isso de um jeito bem melhor). Mostrando de relance os trabalhos da Roni, ele comentava como ela mergulhava em cada projeto e se esgotava em cada pesquisa.

Comecei a olhar meus trabalhos e pra mim mesmo e me assustei de como minhas séries são pequenas 5, 6 fotos… Comecei a perceber como eu tenho dificuldades em persistir numa coisa e como eu tenho uma certa ânsia pra terminar. E que o fato de ter pelo menos 5 projetos em andamento pode também me dispersar, me eximir de me aprofundar.

Essa criste tem sido bacana: me deu muita vontade de aprender de outro jeito, de inventar novos approaches e de ter mais coragem.

Tenho investido boa parte do meu tempo na casa olhando e retrabalhando o material de Coney Island. Uma foto por dia.

E essa persistência tem me dado algumas surpresas boas, como essa nova preferida.

essa precisa ver grande
essa precisa ver grande

Sensação nova essa, não uma vontade de terminar esse trabalho, mas uma vontade de caminhar com ele e ver até onde ele vai.

chegando

Hoje foi dia de chegar e se aconchegar.

Resolvi levar todos os livros que adoro pra compartilhar, trabalhos difíceis de digerir como o do Saudek pra ver se eu consigo encarar.

o tesouro
o tesouro

Resolvi começar a trabalhar as fotos de Coney Island que tavam aqui na parede de casa me atormentando.

Essas fotos já viraram duas breves séries, o último abandono ( que eu ando rejeitando um pouco) e espelho manchado.

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quando o hopper foi me encontrar lá.
quando deu saudade de fazer cinema
quando deu saudade de fazer cinema

Existem muitas outras fotos que gosto bastante mas não acho que caibam nessas séries. Editar é o trabalho mais difícil.

a unica foto que tratei hj. (nao sei se acabei)
a unica foto que tratei hj. (mas não sei se acabei)

Quando Basbaum chegou começamos uma conversa muito boa em que ele questionava o meu trabalho e contextualizava as coisas que eu falava no contexto da história da arte. Era difícil entender na hora, mas acho que o que ele tava fazendo era incluir as questões que eu levantava em uma discussão maior e muitas vezes já trabalhada por teóricos e/ou artistas. Foi bem intenso e bom.

Acho que esse momento de exposição de processo pode me ajudar muito a entender melhor como e por que eu crio. Esse embate com o Basbaum e os próprios artistas promete ser muito promissor.

Vou dormir com essa:

“Com essa sua técnica vc arrumou um belo jeito de não ter que se preocupar com a técnica. Pra quê?”

15/10: alguns livros

15/10
Cheguei na casa umas 18:00 hs, a Mari e o Henrique estavam saindo, o Gui resolveu levá-los no metrô e voltar. Fiquei conversando com a Tetê e a Tainá, coisas gerais.
Daí o Gui voltou e conversamos longamente sobre algumas fotos e processos dele e questões gerais de fotografia, cruzando umas referências teóricas com livros da Roni Horn e do Robert Frank.
O Deco Farkas pousou lá durante essa conversa, que, entre livros, fotos e digressões, foi até uma 21:30.

Lista de livros que levei para a casa:

Ricardo Basbaum (org.): Arte Contemporânea Brasileira: Dicções, Ficções, Estratégias. Volume básico, pela coletânea de textos de artistas e críticos sobre a arte brasileira a partir dos anos 1960/70. Achei que pode ser útil ao grupo. E como está esgotado e é muito difícil de achar, fica por lá este mês.

Jairo Ferreira: Cinema de Invenção. Inventário crítico de uma produção de cinema radical brasileiro, dos anos 60 até os anos 90. Interessantemente, tem lá um “Hiperdiálogo” entre o Artur Omar e o Carlão Rienchenbach que fui eu quem editou, na época em que era editor de cultura na Super11.net (qualquer um dos dois, que estão vivos, pode confirmar isso). Não tem crédito, mas tem lá sua graça que tenha sido editada, senão ia ter desaparecido.

Falo dos outros livros depois. Está tarde e post grande ninguém lê… hehehe.